Salmos de Meishu-Sama

Felizes são aqueles
Que sabem:
Embora os olhos humanos possam ser enganados,
Jamais conseguirão enganar os olhos de Deus.

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Sim, é verdade que
Vocês podem tapar os olhos alheios
Mas jamais serão capazes de ocultar algo de seus próprios olhos.

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Vocês, animais na pele de humanos!
Vou salvá-los e reconstruí-los como verdadeiros humanos.

Sagradas Palavras de Meishu-Sama

“O bem e o mal”

Para nós, o mundo apresenta-se como caótico, pois todo o bem e o mal estão confusamente misturados. Tragédia e comédia, infelicidade e felicidade, guerra e paz – o que está por trás de cada uma delas é, sem exceções, o bem ou o mal. Vocês devem se perguntar: “Por que algumas pessoas são boas e outras más? Qual é a raiz do bem e do mal?”

O que eu vou explanar aqui é a raiz do bem e do mal, e todos precisam saber disso. É evidente dizer que as pessoas geralmente almejam ser boas e detestam ser más. Salvo algumas exceções, todos no governo, na sociedade e na família desfrutam o bem e sabem que o mal não traz nem a paz nem a felicidade.

Para deixar mais simples, deixem-me definir o bem e o mal da seguinte maneira: pessoas boas são aquelas que acreditam no que é invisível, e pessoas más são aquelas que não acreditam no que é invisível.

Aqueles que cometem más ações têm uma espécie de visão niilista do mundo. Eles não acreditam na existência de Deus e, desde que consigam iludir os olhos de outras pessoas, não se importam em cometer algum tipo de irregularidade pelo benefício próprio. Além de enganar pessoas como ninguém, eles as atormentam e causam danos à sociedade sem nenhum sentimento de culpa. Alguns até passam dos limites e cometem assassinatos.

Se vocês têm permissão para fazer qualquer coisa, desde que possam ludibriar os olhos de outras pessoas e não sejam capturados, então, em tese, o melhor seria cometerem irregularidades e viverem no luxo. O pensamento de que o ser humano se reduz ao nada após a morte e de que não existe o Mundo Espiritual, acredito eu, produz uma mente maligna. Mas me deixem lhes dizer que não importa o quão sortudos sejam os malfeitores, eles poderão desfrutar somente um sucesso passageiro. Com o passar do tempo, eles – todos eles – falharão. Isto é um fato. Mesmo porque, aqueles que cometem irregularidades passam seus dias na Terra ansiosos e inquietos. Ficam com medo de serem capturados, receosos de quando isso acontecerá, sofrem por causa da consciência culpada e, por fim, chegam ao arrependimento. Ouvimos inúmeras histórias de malfeitores que se entregam ou se sentem aliviados após serem capturados. Alguns ficam até felizes por receberem a devida pena. Ocasiões como estas ocorrem porque Deus repreende sua alma – alma que Ele lhes confiou. Não importa onde vocês estejam ou o que façam, sua alma está conectada a Deus por um elo espiritual. Assim sendo, quando vocês cometem uma má ação, mesmo conseguindo iludir os olhos alheios, jamais conseguirão iludir a si próprios e, portanto, Deus, que está conectado a todos vocês pelo elo espiritual, sabe de cada um de seus feitos e os registra em Seu livro para, dias posteriores, responsabilizá-los por todas as suas ações. Quando vocês levarem tudo isso em consideração, saberão o quão insensato é cometer qualquer erro.

Vamos agora considerar algo um pouco diferente. Existem aqueles que, em sua mente, querem cometer más atitudes, mas não têm coragem de fazê-lo. Embora saibam que podem ganhar muito cometendo irregularidades, sentem medo de que suas ações sejam expostas, o que resultaria em perda de confiança e no aumento de seu próprio prejuízo. Logo, por autoproteção, eles evitam cometer o mal. E quanto a isto? Há quem faça o bem, calculando que ganhará confiança de outras pessoas e receberá alguma vantagem. Quando pessoas como esta oferecem bondade aos outros, geralmente esperam por algum retorno, ou seja, usa a bondade como uma barganha – vendem bondade e compram esse retorno. Visto que pessoas como estas não atormentam os outros ou não exercem influência negativa sobre a sociedade, vocês poderiam dizer que elas são melhores que os malfeitores, mas não é possível dizer que elas são pessoas genuinamente boas. Eu digo que elas são pessoas passivamente boas. Aos olhos de Deus, elas não são consideradas pessoas verdadeiramente boas, pois os olhos de Deus veem através das partes mais profundas e ocultas do coração de cada uma delas. Também precisamos ter em mente que essas pessoas passivamente boas são perigosas, porque existe a possibilidade de que elas, por qualquer motivo, cometam algum mal acreditando que não serão capturadas. Por fim, as pessoas passivamente boas não acreditam no que é invisível. Aquelas que acreditam em Deus, pelo contrário, são firmes na crença de que “embora os olhos humanos possam ser iludidos, os olhos de Deus nunca podem ser iludidos” e, portanto, elas nunca sucumbirão a nenhuma tentação sob quaisquer circunstâncias. Não importa o quanto a pessoa aparente ser boa e virtuosa, se ela não acredita em Deus, sempre haverá o risco de um dia ela se tornar uma pessoa má. Assim sendo, no final das contas, esse tipo de pessoa pertence ao mal.

Minha conclusão é a seguinte: para ser qualificado como uma pessoa genuinamente boa, é preciso ser uma pessoa de fé, ou seja, uma pessoa que acredita no que é invisível. Para que a sociedade atual seja salva desta séria degradação moral, eu acredito que a fé seja a única resposta.

Hoje, existem muitos esforços para manter a ordem e prevenir crimes: leis são criadas, a polícia é mobilizada, tribunais são instalados e presídios são concluídos. Deixem-me dizer que isto é o mesmo que fazer uma jaula ou erguer cercas de ferro para uma fera, a fim de conter sua brutalidade. Em outras palavras, criminosos não são tratados como seres humanos, mas como animais. Como isto é lamentável, pois, embora todos tenham nascido como humanos – existências verdadeiramente preciosas – ocorre de terem que terminar seus dias na Terra como seres tão inferiores quanto os animais. É realmente uma verdade eterna que o ser humano se torna um animal quando decai, e se torna deus quando se eleva, ou seja, o ser humano é um ser vivo que existe no estado intermediário entre Deus e o animal. Nesse sentido, acredito que uma pessoa verdadeiramente civilizada é aquela que se libertou de sua animalidade, e que a cultura só progredirá quando humanos animalizados se tornarem seres divinos. Em suma, o lugar onde seres humanos divinos se reúnem é o que eu chamo de Paraíso na Terra.

Coletânea sobre a Fé, 5 de setembro de 1948
(trechos)

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